sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tela que pulsa
As pinturas de Fernando estão em exposições, ou em corpos itinerantes
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Mayco Geretti
Agência BOM DIA

Ora o pincel toca a tela, ora a agulha perfura a carne. O artista Fernando Jardim, 30 anos, não reduz sua arte a uma só faceta. Quando não pinta quadros, ele literalmente dá vida às obras transformando-as em tatuagens.

“Cada pessoa que tatuo, torna-se uma exposição itinerante de meu trabalho”, define o artista, que começou a pintar telas a óleo quando criança, época em que já nutria o fascínio pela tatuagem e pedia para ficar olhando o trabalho de um tatuador que tinha estúdio perto de sua casa.

Com dificuldade para encontrar os canais para comercializar suas obras, Fernando passou a fazer tatuagens temporárias em festas infantis para pagar as contas. Em 2001, quando comprou a primeira máquina, abriu um estúdio sem jamais ter tatuado alguém de forma permanente. O primeiro cliente, relembra, colocou seus nervos à prova. “Ele queria a tatuagem para aquela hora, e eu tentando adiar. Fiz aquela, outra e mais outra e cada vez melhor, ganhando confiança. Foi só então que fiz em mim mesmo minha primeira tatuagem”, relembra.

Em anos de trabalho, Fernando relembra passagens cômicas: “Uma vez um caminhoneiro pediu que eu tatuasse a morte, mas ele parecia ser muito religioso e estar indeciso. Bastou uma conversa para a morte ceder lugar a uma tatuagem de São Miguel Arcanjo”, diverte-se.

Influenciado por artistas como Picasso, Jean-Michel Basquiat e Rembrandt, ele conta que passar a arte da telas para a pele oferece desafios. “Pelo fato de ser desenhista consigo tatuar diretamente na pele sem fazer esboço prévio. Musculaturas, ossos e toda a anatomia ajuda a compor a obra.”

No dia-a-dia de seu estúdio Fernando acabou se especializando em desenhos orientais, como gueixas, dragões, samurais e máscaras. Graças a essa linha de trabalho ele começará a desenvolver nos próximos meses aquela que, acredita Fernando, será sua obra-prima: a pintura do teto de um templo budista em São Paulo. “Será a minha Capela Sistina”, afirma, fazendo menção ao pintor Michelangelo, que levou anos para concluir a pintura da capela italiana. “A pintura será trabalho para apenas alguns meses, mas é um divisor de águas em minha carreira, além de uma honra.”